Líderes indígenas protegem uma das últimas florestas secas intactas em tempos de incêndios florestais cada vez mais intensos
Bombeiros indígenas ajudam a proteger a biodiversidade no Gran Chaco sul-americano
Com a crise mundial de incêndios florestais, nunca foi tão urgente proteger florestas e outros ecossistemas intactos. No Gran Chaco boliviano, o Governo Indígena Autônomo de Charagua Iyambae vem liderando um grande trabalho de conservação na área protegida de Ñembi Guasu (nome que significa "Grande Refúgio", em guarani).
Com mais de 1,2 milhão de hectares (dez vezes o tamanho do município de São Paulo) gerenciados pelo povo guarani, o Ñembi Guasu é a primeira e maior área de conservação com gestão indígena da Bolívia, além de ser uma das maiores florestas secas intocadas que ainda existem no planeta.
A região do Gran Chaco estende-se pela Argentina, Bolívia e Paraguai. É a maior floresta seca tropical do mundo e, depois da Amazônia, o maior ecossistema florestal das Américas. Porém, vem sofrendo as ameaças do desmatamento, da mudança no uso do solo e de queimadas cada vez mais intensas. Proteger as florestas da região é imprescindível para a biodiversidade, o estoque de carbono e a resiliência climática. Elas são habitats indispensáveis para espécies como onças, queixadas do Chaco e tamanduás-bandeira, além de protegerem os territórios das comunidades Ayoreo e outros povos indígenas.
As Nações Unidas advertem que o número e a intensidade das queimadas devem continuar a crescer nas próximas décadas. Com o agravamento dos incêndios, não só na América do Sul, o trabalho de conservação feito pelos indígenas deve ajudar a proteger a natureza e criar mais resiliência.
Este vídeo relata o trabalho que o povo guarani vem realizando e seu compromisso com a proteção de uma das mais vitais florestas do mundo.